Quando foram anunciados os reworks dos Colossos (Darius, Mordekaiser, Skarner e Garen), muito se perguntava se essa mudança afetaria o meta para o campeonato mundial. Garen não apareceu, provavelmente devido a pouca versatilidade do campeão (Skillset muito “rasa”) e Skarner sumiu tão rápido quanto apareceu (Devido a força dos Duelistas na selva, explicada na coluna da semana retrasada). Mordekaiser é um dos melhores campeões atualmente, sendo escolhido ou banido em 98.4 por cento dos 63 jogos realizados até agora. Por fim, Darius tem sido um pick bastante contestado e utilizado…Mas algo parece errado.

ESTATÍSTICAS

Bans: 15
Picks: 38
Vitórias: 19
Derrotas: 19
Porcentagem de vitória: 50%
Pickado ou banido: 84.1% dos jogos
Abates: 137
Mortes: 127
Assistências: 143
KDA: 2.2

Que estranho! Apesar de extremamente contestado, Darius tem o menor KDA entre os 10 campeões mais banidos ou pickados (2.2) e uma porcentagem de vitória de apenas 50%, em contraste com, por exemplo, GangPlank e Mordekaiser, com 100 por cento de vitórias no campeonato. Então, parece que, apesar de contestado, existe muita dúvida sobre a como tirar 100% da eficiência de Darius. Para entender plenamente a situação, no entanto, temos que olhar para o meta atual e refletir sobre como ele pode se encaixar na bagunça.

Quando lançado, Darius era uma força a ser reconhecida: Dano extremo com resets fáceis em um meta sem mobilidade…Mas isso na segunda e terceira temporadas (e olhe lá!). Atualmente, Darius é considerado um safe pick, com poucos matchups ruins e uma boa laning phase, escondendo  quaisquer estratégias que o time que o escolhe possa utilizar até mais tarde no draft. Vivenciamos um meta de alcance e Peel, onde as composições praticamente se dividem entre as de siege/fast push (que abusam do alcance de campeões como Azir, Jinx e Tristana para levar torres e lutar fights para trás) e hard engage (Kalista + Annie ou Alistar, principalmente), sendo as do segundo tipo naturalmente mais propícias para o Colosso, que aproveitaria a iniciação para chegar a Backline adversária. No entanto, isso ainda parecia difícil, como foi visto na série “SK Telecom T1 vs ahq e-Sports Club” pelas quartas de final, onde a ahq parecia nunca conseguir que o Darius de Ziv chegasse aos Carries inimigos. Era a hora de inovar.

O primeiro time a chamar a atenção com Darius em uma composição de fast push/siege foi a Cloud 9.

No já emblemático penta-kill do top laner Balls, o time norte-americano usa uma composição sem praticamente nenhum tipo de engage ou ferramenta de auxílio ao Colosso, que consegue causar dano e matar os adversários simplesmente porque eles são FORÇADOS a se aproximar do Azir e Tristana na backline, alvos extremamente complicados de lidar caso fiquem livres. Isso tira a atenção e foco dos adversários para o top laner, que consegue não só stackar sua passiva (Hemorragia) mais rapidamente até as 5 stacks, como também realizar um abate atrás do outro com o AD extra da passiva. Esse tipo de uso de Darius foi realizado também pela Origen, nas quartas de final contra a yoe Flash Wolves, nos jogos 1 e 3 da série.

A PEQUENA GRANDE RESPOSTA

Tão interessante quanto o pick de Darius ter aparecido foi a ressurgência do Gnar como escolha forte para a top lane. Apesar de ter aparecido apenas 2 vezes na fase de mata-mata, o yordle foi escolhido 15 vezes na fase de grupos, geralmente como resposta ao Gigante de Noxus. Na forma mini-gnar, ele pode usar a lentidão do Bumerangue e a passiva do Hiperativo para causar dano e se manter em segurança, além de boa presença nas teamfights com uma série de controles de grupo na forma de Mega-Gnar. Mesmo assim, não era considerado um counter para Darius, apenas uma resposta quando o draft adversário mostrava o campeão muito cedo.

De todos os times, a SKT1 é com certeza a que melhor entendeu o campeão. Nas mãos de Marin, Darius foi peça fundamental na segunda vitória contra a EDG pela fase de grupos, conseguindo abates na fase de rotas que o fizeram ser fundamental nas lutas em grupo. Contra a SKT1, nem EDG nem ahq conseguiram fazer bom uso do campeão, mostrando que o time sul-coreano também sabia exatamente que armas são efetivas contra ele, principalmente peel intenso e o pick de Tristana como ADC. Quanto as suas aparições, a situação é clara:o campeão é forte candidato a ser escolhido nas fases finais do campeonato. No entanto, estarão os outros times (além da SKT1) preparados para lidar tão bem com a guilhotina de Noxus?

 

 

O Autor da Publicação é o Thiago “Djokovic” Maia, atual coach da CNB

http://maisesports.com.br/coluna/a-guilhotina-e-menos-afiada-do-que-parece-darius-no-mundial/