Qualquer jogo tem seus defeitos. O importante é reconhecer suas fraquezas e procurar melhorar a cada dia. Isso foi o que a Ubisoft fez e continua fazendo com The Division.

O primeiro vídeo de The Division, apresentado na E3 de 2013, deixou todos boquiabertos. Com uma qualidade gráfica impressionante para a época, o jogo causou uma hype gigante. E sabemos que criar esse tipo de coisa é arriscadíssimo se você não entregar o que foi mostrado.

Confira o trailer apresentado na E3 de 2013:

Depois de 3 anos, no dia 08 de março, o jogo foi lançado. O jogo não era exatamente como apresentado 3 anos atrás. Ele tinha sim uma qualidade gráfica altíssima, entretanto não era aquela que eles prometeram. Mas as críticas não abalaram a equipe de The Division, que se superou e hoje conta com uma comunidade fiel, que cresce cada dia mais.

Agora vamos a análise do game:

A história

As inspirações para a história de The Division foram os eventos “Dark Winter” e a chamada “Diretriz 51”:

A operação “Dark Winter” foi uma simulação de um ataque bioterrorista que aconteceu em 2001, simulando a propagação de um vírus altamente contagioso, para avaliar a capacidade de um governo em agir em um caso real.

A “Diretriz 51”, é um documento que lista os procedimentos específicos dos órgãos governamentais no caso de uma catástrofe em escala nacional.

Juntando os dois, temos o enredo de The Division. No jogo, um vírus da varíola que foi modificado, é colocado em diversas notas de 20 dólares e propagado durante uma Black Friday, infectando milhões de pessoas.

A epidemia faz os hospitais lotarem e o pânico toma conta da cidade. Sem conseguir uma cura, o Governo cria áreas de quarentena e passa a racionar os recursos para tentar controlar o caos. Após isso, o transporte é interrompido para evitar a disseminação do vírus. As companhias de energia e água param de funcionar, o que motiva os milhares de sobreviventes tentarem estocar alimentos e água. Não demora muito até que as pessoas comecem a passem fome. Aí o desespero toma conta.

Todos os detentos do complexo penitenciário da Ilha Rikers, no Bronx, fogem e instauram o caos total. A polícia e o exército têm dificuldade em controlar a situação, enquanto uma cura parece longe de aparecer. Os policiais ficam por conta própria quando os exército decide evacuar a cidade, e Nova York se vê completamente abandonada, chegando ao colapso completo da sociedade.

Graças à Diretriz 51, existe uma unidade que tem autoridade para agir nesse tipo de situação, com o objetivo de restabelecer a ordem e ajudar a reconstruir as estruturas sociais básicas: The Division.

A unidade é composta por agentes que, depois de treinados, levam uma vida civil normal e são acionados como última opção. A idéia é criar um cenário apocalíptico, que simula como os seres humanos são quando não existe ordem.

“Os verdadeiros monstros são os próprios humanos e suas ações extremas enquanto tentam sobreviver ou se aproveitar da situação instável”

O jogo é um flerte com uma possível realidade, o apocalipse possível, com lugares, reações e situações reais. Isso torna a história de The Division extremamente imersiva.

O caos na capital do mundo

A ambientação do game é impressionante! A forma como Nova York foi recriada, aumenta ainda mais o envolvimento com o jogo. O lixo acumulado, prédios em quarentena, pessoas vagando pelas ruas em busca suprimentos, tudo minuciosamente detalhado.

Em uma das missões, você entra em uma obra inacabada que faz parte do sistema de metrô da cidade e que passou a ser usada como uma imensa vala comum onde os corpos dos mortos foram jogados e são incinerados. O detalhismo é assustador. Faz com que o jogador se emocione algumas vezes.

Os gráficos

Como disse, é plausível como o fã tenha ficado chateado com o visível downgrade que The Division recebeu desde a sua apresentação na E3 2013. Não tem como negar que aconteceu, mas isso não deixou o jogo feio. A qualidade gráfica do jogo é de se encher os olhos, Principalmente nos PCs. Nos consoles o jogo também é lindo de se ver(é um pouco menos).

Algumas críticas quanto ao gráfico ficam a algumas quedas de FPS(coisa que a Ubisoft melhorou consideravelmente), a pouca interação com o ambiente(carros explodirem, reflexos e outros).

A engine usada na criação do game, Snowdrop, impressiona com a destruição procedural de objetos e pelas mudanças climáticas que acontecem durante a jogatina.

Um MMORPG shooter survival

A principal estrutura do gameplay é de MMORPG. O personagem conta com equipamentos que possuem três atributos principais: DPS (Dano Por Segundo), quantidade de vida e potência de habilidade. Esse atributos servem de base para seu estilo de jogo. Se quer ser um tank, um atirador ou um suporte.

É possível ainda aplicar atributos bônus aos itens e mudar a aparência do seu personagem. As armas também podem ser modificadas com os acessórios, podendo ficar mais estáveis, mais rápidas e mais precisas. Você pode ainda construir suas próprias armas e equipamentos. Resumindo, um clássico RPG aplicado a um jogo com tema atual, com armas de fogo, granadas e acessórios ao invés de arco e flechas, magias e espadas. Uma idéia genial!

O nível máximo do personagem é 30, que é alcançado com pontos de experiência ganhos ao completar as missões, derrotar inimigos e coletar itens colecionáveis, como celulares, relatórios e imagens de sistemas de segurança.Além disso, você pode selecionar até quatro talentos passivos, que são pequenas vantagens que vão sendo desbloqueadas à medida que você evolui com sua base de operações.

As mecânicas são básicas de um shooter de terceira pessoa, que você mira, atira e se protege. O que faz com que a mecânica de The Division seja extremamente simples, mas isso não significa que o jogo seja fácil.

PvP sim senhor!

Por fim, entram alguns elementos de survival multiplayer, que são vistos na Dark Zone – ou Zona Cega, que é a área que possibilita a ação entre jogadores (PvP). Na Darkzone você perceberá que The Division oferece sensações bem diferentes entre jogar a campanha e o PvP.

Ao entrar nessa área, passa a dividir o espaço com vários outros jogadores que podem ou não te atacar, e cabe a você decidir se é correto ou não também atacar. Se atacar, pode ativar o chamado “Protocolo Rogue”, que te marca no mapa de todos os jogadores da Dark Zone e dá recompensas caso você seja abatido.

Quanto maior o caos feito por você, maior fica o seu nível Rogue e maior é o prêmio pela sua morte. Caso você consiga sobreviver à caça, você que é recompensado. Resumindo, você pode ser o caçador de recompensas ou pode ser a presa. O progresso dentro da Dark Zone é separado do que acontece do lado de fora.

Não existem apenas jogadores por lá dentro: diversos NPCs inimigos protegem os locais que contêm as caixas da Dark Zone. Então você pode simplesmente entrar lá para explorar e usar a área como uma extensão de sua experiência da campanha, tomando cuidado para não ser morto por outros agentes.

Mas qual é o incentivo para virar Rogue? Simples: os melhores itens estão na Dark Zone, e, quando os coleta, não pode simplesmente usá-los. Por se tratar de uma área de quarentena, é preciso extrair o que você pegou e usar posteriormente. Porém, o processo leva 90 segundos e é anunciado para todos do mapa. Enquanto não fizer a extração, uma pequena bolsa amarela será visível a todos, alertando que seu personagem está carregando algo que pode ser muito valioso. O conteúdo dessa bolsa é perdido caso você morra. Agora pode entender o porquê de alguns jogadores querer se tornar rogue.

Não é sempre isso acontece. As vezes você tem a sorte de encontrar grupos que te protegem de Rogues. Não saber em quem confiar é que faz com que jogar na Dark Zone seja emocionante.

CONCLUSÃO

The Division aprendeu com seus erros e merece a posição como um dos melhores títulos lançados de 2016. O game possui uma história densa, uma ambientação excepcional, uma qualidade gráfica excelente, uma proposta relativamente inovadora para o gênero e uma experiência multiplayer fantástica.