Uma disputa pela administração da Ilha da Macacada Gaming levou a KaBuM a rescindir a parceria para a disputa do CBLOL e do Circuito Desafiante em 2017. O rompimento foi anunciado no último sábado (7).

O ponto central é que administradores do famoso grupo de Facebook, hoje com quase 700 mil membros, não eram sócios-proprietários da empresa registrada como Ilha da Macacada na modalidade empresário individual, em 10 março de 2016.

O dono do CNPJ é Douglas Alves, ex-administrador, que era o responsável por executar o projeto da equipe. “Na época eu era o administrador do grupo e criei o time, em paralelo a vários outros projetos, como páginas e canal no Youtube”, contou Douglas ao site MyCNB.

“Os outros administradores nunca tiveram ligação nenhuma com o time, a não ser um ou outro amigo próximo que também era administrador que me auxiliava. O grupo e o time sempre foram coisas distintas”, argumentou Douglas, dizendo que pagava aos que atuavam na administração do time. “Era um serviço de gestão e assessoramento. Eles trabalhavam na hora e de onde queriam e tinham uma certa autonomia, desde que não fosse em detrimento próprio”.

Um dos cabeças do time era André Marden, também administrador da Ilha da Macacada, colocado como manager. Ele tinha contato com dois investidores.

O criador da Ilha da Macadada, Samuel Rehbein, argumentou que os administradores envolvidos na equipe, chamada de IDM Gaming, não eram remunerados por Douglas. “[Os administradores] André [Marden], Vitor [Spaolense] e Eric [Teixeira] sempre trabalharam na IDM Gaming por serem sócios e da equipe da Ilha e porque gostariam de ver o time se dando bem, vencendo campeonatos e conquistando seu espaço. Todo o investimento da empresa foi feito por outros dois sócios que entraram na empresa”.

A história está recheada de contradições, com versões diferentes para os mesmos acontecimentos e acusações de ambos os lados.

Mesmo atuando na gerência da equipe, os administradores do grupo não tinham participação acionária na empresa criada por Douglas. Segundo Samuel, optou-se pelo caminho mais fácil de aproveitar o CNPJ registrado pelo companheiro para que o time pudesse participar de campeonatos. “A explicação é que demora no mínimo um mês depois de entregar a documentação na Junta [Comercial] para formalizar uma sociedade limitada. Não ficaria pronta a tempo. Quando fomos regularizar a situação e registrar todos os sócios de forma oficial, o Douglas começou a colocar empecilhos e dar desculpas para não colaborar com a documentação”.

Em abril do ano passado, exatamente um mês da abertura da empresa, a Ilha da Macacada anunciou a compra da vaga do Overload no 2º Split do Circuito Desafiante 2016. Foi a entrada do grupo para o cenário competitivo. O time perdeu na Semifinal.

Conforme apurou o site MyCNB junto a pessoas próximas à história, Douglas estava insatisfeito por estar sendo deixado de lado pelos outros administradores, por conta de um atrito quanto à participação dos investidores na empresa para o Circuito Desafiante. “Os investidores e administradores da Ilha foram o isolando das conversas e negócios da empresa”, contou uma fonte, sob condição de anonimato.

Após o anúncio da reestruturação da equipe Kabum, a Ilha da Macacada procurou a empresa.“Um representante da minha empresa entrou em contato com a KaBuM para negociações referentes ao CBLoL e a possíveis parcerias. Desde então foram realizadas procuras à KaBuM, em que, de posse de uma procuração, o representante [da equipe] chegou a fechar o acordo”, disse Douglas, que é de Brasília e não poderia estar em São Paulo para as tratativas.

O encarregado do acordo, em posse da procuração assinada por Douglas, era o advogado Ariel Vivan, representante dos administradores ligados à equipe.

Depois dessa parceria que as diferenças tornaram-se problemáticas. “Os meus gestores, na época constituídos, decidiram que deveriam ter participação na empresa e decidiram isso por conta própria, me enviaram um contrato, o qual nunca assinei e nunca foi registrado. Eles esperaram que eu aceitasse. Contudo, revoguei a procuração deles e aí é que virou essa confusão”, relatou Douglas.

Em 5 de novembro, Samuel informou Douglas que ele seria retirado do posto de administrador e deveria passar a empresa para o nome dele. Isso uma semana antes do comunicado público da parceria com a KaBuM. Pelo acordo, os cyber-atletas e técnico seriam contratados pela KaBuM, já que a empresa de Limeira não aceitou fazer o contrato com a Ilha da Macacada como empresário individual. Mas havia um termo de responsabilidade de que a Ilha cumpririam as obrigações do contrato com os membros da equipe, visto que o grupo cuidaria da parte administrativa da organização.

“Após o anúncio da parceria, alguns administradores do grupo tentaram tomar posse da minha empresa sem nenhum argumento, sendo que a empresa Ilha da Macacada nunca teve ligações com o grupo e me retiraram da minha função de administrador do grupo. Eu aceitei a opção de retirada da função de administrador e continuei tocando a empresa. Após verem que suas ações maliciosas não surtiram efeito, me retiraram das páginas do Facebook, as quais criei todas”, disse Douglas.

Samuel disse que a remoção de Douglas da administração do grupo era motivada por suspeita de “atividades ilícitas”, as quais não quis especificar por ainda não ter provas. “Quando a IDM Gaming foi colocada no nome dele, ele era de minha confiança e sempre salientou que passaria para o meu nome caso algum dia eu pedisse, algo que não se concretizou. Partindo disso, dentro da IDM Gaming ele também foi afastado de todas as decisões importantes. Esse afastamento permaneceria até ser feita a averiguação desses atos suspeitos para ver se realmente aconteceram”.

No dia 30 de dezembro, Douglas contatou a KaBuM e a Riot Games Brasil e informou que os administradores que estavam tratando em nome da equipe não eram registrados como sócios da empresa. Na última sexta-feira (6), após reunião com representantes do grupo, a companhia de Limeira decidiu suspender a parceria.

“Devido às divergência, o KaBuM ficou impossibilitado de firmar o contrato de parceria dentro do prazo necessário, assim como possuir mais tempo hábil para que as pendências relacionadas ao CNPJ fossem resolvidas”, explicou a empresa, em comunicado.

O MyCNB questionou os administradores que, ao perceberem a confusão com Douglas, não poderiam criar uma nova empresa. André Marden respondeu: “Poderíamos, mas não imaginávamos que pudesse dar esse problema. Nunca imaginamos que situações desse tipo vão acontecer, principalmente com pessoas que estavam do seu lado o tempo todo”.

Chamado pelos administradores da Ilha da Macacada de estelionatário, Douglas disse ter registrado Boletim de Ocorrência. “Eu não posso controlar o que uma pessoa diz, o que ela quer dizer é só da cabeça dela e de responsabilidade dela. E, como responsáveis que somos, temos que arcar com as consequências de nossos atos. Se eu sou estelionatário e criminoso, ele deveria provar isso judicialmente não?”

Aguardemos mais novidades nos próximos dias.