Os anos passam voando, certo? Bom, isso depende se você estava esperando o lançamento de ‘The Last Guardian’ ou não.

Desde o anúncio do game em 2009 foram 7 longos anos de espera e torcida para que o jogo visse a luz do dia, afinal trata-se sim da conclusão da icônica trilogia de Fumito Ueda, que já contava com os excelentes ‘ICO’ e ‘Shadow of The Colossus’. Finalmente, em dezembro de 2016, ‘The Last Guardian’ foi lançado e levantou a questão: essa espera toda valeu a pena?

O game tem o estilo característico da trilogia – a melancolia, o senso de urgência, a ambientação impecável – tá tudo lá e funciona muito bem. Mas o jogo tem sim sua própria identidade, que é o ponto alto da experiência.

A narrativa começa com um garoto desmaiado dentro de uma grande fortaleza. Caído ao lado dele está Trico, uma criatura enorme, exausta e machucada. Não temos informação nenhuma de quem são os dois ou o que fazem ali, mas quando o garoto acorda e decide ajudar Trico, temos o início de uma improvável amizade.

Instantaneamente simpatizamos com os dois protagonistas. O menino, perdido e confuso dentro da fortaleza, tenta traçar seu caminho de volta para casa. Trico se apega ao garoto e passa a acompanha-lo na jornada, como um gigantesco animal de estimação.

Assim como em ICO, o menino é o oposto do que esperamos de um herói ou um guerreiro treinado. Ele é desengonçado, corre e pula com dificuldade, e fica claramente nervoso em certos momentos do jogo. Já Trico tem vontades próprias, se distrai facilmente nos imensos cenários do game e se mostra difícil de controlar. Isso gera uma interdependência entre os protagonistas, que é a cereja do bolo do game.

O modo como lidamos com Trico durante o jogo afeta diretamente seu comportamento. Conforme o andamento do gameplay, vamos nos aproximando cada vez mais da criatura e podemos treina-la. Seja dócil e atencioso com Trico e ele obedecerá facilmente. Seja ríspido ou distante e ele irá deixar sua vida mais difícil.

Os laços vão se estreitando conforme eles enfrentam os obstáculos e inimigos, sempre dependendo um do outro. Cada situação de risco, cada salto incerto, cada etapa perigosa do jogo aproxima não só os personagens, mas também o jogador, e o game faz isso com maestria.

Em algum tempo estamos totalmente imersos na história. Seja fugindo dos soldados da fortaleza ou passando com Trico por estreitas e frágeis plataformas, a sensação de que algo vai dar errado é constante. Chegamos a suar frio certas horas com receio de perder Trico.

O jogo equilibra bem os momentos de ação com os momentos de exploração e, como já foi citado, a ambientação é excelente. A fortaleza é imensa e varia entre cenários fechados e abertos, todos muito bem trabalhados. Muitas vezes nos deparamos com imensos campos verdes e ensolarados logo após uma situação de tensão extrema, que te dá o tempo de respirar fundo e seguir com a aventura. Até mesmo Trico sente esses momentos, quando sai correndo para ficar ao sol por alguns instantes.

Mas como nem tudo são flores, ‘The Last Guardian’ tem seus defeitos. Como o game ficou em desenvolvimento por tantos anos e teve várias equipes trabalhando nele, a jogabilidade peca bastante. Controlar o garoto pode ser frustrante e dar ordens a Trico é, muitas vezes, uma tarefa difícil. Os gráficos não desapontam, porém sofrem com quedas de frames nos momentos de maior ação. Mas o maior defeito do título é, sem dúvidas, a câmera, que vai ser sua pior inimiga em várias partes do jogo.

Felizmente, nenhum desses problemas chega a estragar a experiência fantástica que é o game. A história prende o jogador e sua conclusão é surpreendente e sombria, além de muito emocionante. ‘The Last Guardian’ faz juz a seus antecessores e vale sim quase uma década de espera.