A Riot Games Brasil apresentou sua defesa no processo em que o paiN Gaming pede a liberação do Support Caio “Loop” Almeida e disse que o dono da organização, Arthur “Paada” Zarzur, admitiu o aliciamento por três vezes antes de passar a negá-lo. A empresa informou ainda ter áudio que comprova o contato direto com o cyber-atleta, o que é proibido pela política antialiciamento do League of Legends.

Segundo a Riot, o primeiro contato de Paada com os dirigentes do INTZ, ocorreu em 21 de novembro de 2015. Nessa data, o dono do paiN manifestou interesse na contratação de um jogador do INTZ. Em 24 de novembro, a direção do INTZ respondeu, perguntando qual era o cyber-atleta pretendido. No mesmo dia, o paiN informou tratar-se de Loop, recebendo como resposta que o INTZ não queria negociá-lo.

No dia 2 dezembro, Paada ligou para o gerente de e-sports da empresa, Philipe “PH Suman” Monteiro. Na ocasião, Paada acabou admitindo ter ciência de que infringiu a regra antialiciamento, mas que gostaria de resolver a situação porque tinha muito interesse no jogador”, escreveu a defesa.

No dia 3, a direção do INTZ procurou a Riot Games para formalizar denúncia contra o paiN por descumprimento da política antialiciamento, que estabelece que as negociações de cyber-atletas devem ser iniciadas entre as organizações, sem contato direto com o jogador. Foi aberto o processo de investigação.

No dia 4, em nova ligação, Paada confessou que já havia entrado em contato com o jogador Caio Loop, argumentando que estaria disposto até a pagar a multa contratual do jogador para que ele fosse para a paiN, de acordo com a Riot, que procurou o pai de Loop, solicitando que lhe fossem encaminhadas todas as comunicações feitas pelo paiN com Loop ou seus pais. De acordo com a empresa, “o pai de Loop não negou ter sido contatado pela paiN Gaming, limitando-se a questionar, antes de enviar qualquer documento, se o jogador seria, de alguma forma, punido.

“Ou seja, alguma infração de fato ocorreu, mas ele pretendia garantir que Loop não fosse responsabilizado por ela. “

No entanto, após o contato do advogado da paiN, Loop e seus pais inexplicavelmente não admitiam ter tido contato direto da paiN Gaming. Houve, portanto, uma brusca mudança de postura do jogador e de seus familiares. Não responderam adequamente aos questionamentos, adotando, portanto, “postura contraditória”. Naquele dia, INTZ entregou à desenvolvedora gravação de uma conversa telefônica na qual representantes da INTZ e Loop ligam para o pai de Loop, que informa terem sido contatados pela paiN Gaming para contratação de Loop.

Conforme a empresa, no dia 6, Loop mandou e-mail para os membros do INTZ, formalizando sua saída da equipe, “em uma, no mínimo, suspeita coindiência”. Na madrugada do dia 7, de posse de informações de que Loop havia se desligado do INTZ para acertar com o paiN, em um negócio já considerado concretizado.

No dia 14, PH Suman e o gerente sênior de e-sports da Riot brasileira, Fábio Massuda, fizeram novo contato telefônico com Paada. “Nesta ligação, no entanto, o diretor da PAIN, também passa a se contradizer e, em vez de responder aos questionamentos formulados e esclarecer os fatos, novamente afirma apenas que tudo seria um ‘mal entendido'”.

Depois de chegar à conclusão de que houve aliciamento, diante dos “fatos apurados, das contradições, da manifesta má-fé dos envolvidos e dos diversos contatos realizados”, a Riot Games anunciou a penalidade no dia 17 de dezembro, não sem antes, salienta a empresa, avisar as partes por telefone e e-mail.

Pela sanção, o paiN ficou impedido de inscrever Loop em campeonatos oficiais durante esta temporada, perdeu o dinheiro da premiação e dos direitos de imagem referentes ao 1º Split do Campeonato Brasileiro (CBLoL) 2016 e ainda teve o dirigente (Paada) suspenso.

Em um dos pontos da contestação, a Riot questiona: “Qual seria o interesse da Riot Games em aplicar punição a uma das mais populares equipes participantes de seus campeonatos, sem a devida apuração dos fatos e a total e absoluta certeza dos descumprimentos perpetrados? Nenhum!”
 

Próximos passos

Com a contestação juntada à ação, o próximo passo é a resposta do paiN Gaming. “Neste momento, deverá ser assinalado o prazo de 15 dias para que a paiN ofereça réplica à contestação, bem como se manifeste quanto às alegações e às provas produzidas pela Riot”, explica o advogado Helio Tadeu Brogna Coelho, especialista em Direito Digital.

Em seguida, o juiz fixará os pontos controvertidos [em que há divergências de versões] e poderá, a depender da situação, designar audiência de tentativa de conciliação ou determinar a produção de novas provas. Esta fase pode ser extensa e prolongar o processo até a decisão final. Ou o juiz poderá ainda promover o julgamento antecipado do processo, se entender que as provas até então produzidas são suficientes para formar a sua convicção sobre o caso.