Os games que vão além de seu gameplay. Esses são 5 momentos marcantes de alguns dos nossos jogos preferidos.

Toda história tem seus momentos especiais. Tramas elaboradas, reviravoltas e bons personagens já não são exlusividades dos filmes e livros. Os games vem, ano após ano, se consolidando como um novo canal de ótimos enredos, com méritos dignos de grandes produções.

[SPOILER ALERT] – Esse artigo contém detalhes dos enredos narrados pelos jogos da lista. Cuidado para não estragar sua experiência!

5. Kingdom Hearts II – Summer Vacation is Over

A segunda parte do épico crossover entre a Square e a Disney começa introduzindo um novo protagonista. Roxas vive com seus amigos em Twilight Town em um eterno clima de férias e se mostra um personagem carismático e cheio de mistérios. Ao mesmo tempo em que vivemos seu dia a dia, acompanhamos em seus sonhos as memórias de Sora – protagonista do primeiro Kingdom Hearts – e entendemos a ligação entre os dois jogos.

Com o desenrolar da história, Roxas começa a desconfiar de sua própria existência, uma vez que tudo indica que ele não passa de um espelho da personalidade de Sora – um ‘nobody’, como o próprio jogo denomina. Tudo isso culmina no encontro dos 2 protagonistas, em uma cena emocionante, onde Roxas se despede pois sabe que, no despertar de Sora, ele irá desaparecer.

 

4. Red Dead Redemption – Chegada ao México

A história não contada da parceria de John Marston com Bill Williamson serve como prólogo do enredo de Red Dead Redemption. No início do game somos apresentados a um John Marston mais velho, aposentado da vida de crimes, sendo coagido pelo governo a capturar seu antigo parceiro e leva-lo a justiça. O tom de vingança do game é marcante e nunca nos é revelado o que houve entre os antigos companheiros. John deve capturar Bill para recuperar sua família e a situação é, desde o princípio, o foco da história.

Pela primeira metade do jogo, o objetivo principal é invadir o ‘forte’ da nova gangue de Bill – o Fort Mercer – e, para isso, vamos nos familiarizando com o mundo do game, conhecendo novos personagens e vendo um plano tomar forma. O violento clima de velho oeste serve como uma ambientação impecável para os vastos cenários, e quando chega o momento de executar o plano de invasão, já estamos totalmente imersos no jogo.

Quando conseguimos tomar o forte, descobrimos que Bill já havia fugido dali para o México, e é pra la que John Marston segue. A travessia da fronteira consegue ser mais frenética que a invasão de Fort Mercer – a ação é contínua e parece inteminável, a ponto de respirarmos aliviados quando tudo finalmente acaba. E é nesse clima, de calmaria após a tempestade, que John sobe em seu cavalo e chega ao México ao som de “Far Away”, música de Jose Gonzales que casa perfeitamente com o momento.

 

3. Final Fantasy VIII – Deling City Parade

O primeiro ato de Final Fantasy VIII, ao contrário do restante do game, conta uma história direta e muito bem montada. Com um pano de fundo político e interessante, acompanhamos a recém formada equipe de mercenários conhecidos como ‘SeeD’ em seus esforços para frustar os planos da feiticeira Ultimecia, que tem como objetivo ‘comprimir todo o espaço e tempo para se tornar uma deusa viva’.

Diferente de outros RPGs que tem um começo lento, Final Fantasy VIII guarda boas doses de diversão em suas primeiras horas. Vivemos, na pele do protagonista Squall Leonhart, seu teste para se tornar um SeeD, sua formatura e primeiras missões, onde descobrimos as reais intenções de Ultimecia. Os personagens são interessantes, possuem bastante personalidade e a história se mantém envolvente.

Ultimecia, em posse do corpo de Edea Kramer, usa de influência para se tornar uma figura política importante do pais, afinal, no universo do game, as feiticeiras são amplamente celebradas como representantes diretas de divindades. Ela chega ao ponto de ter um desfile de rua em sua homenagem, na cidade de Deling City – ocasião essa que a equipe de SeeDs planeja aproveitar para assassinar a feiticeira, posicionando estrategicamente um atirador de elite.

Quando o desfile começa, Edea sobe ao palco e assassina o presidente da cidade em frente ao público, anunciando o início do seu reinado de tirania. Em meio a comoção, a equipe de SeeDs consegue segurar a passagem da feiticiera, deixando o alvo livre para Irvine – o sniper – atirar com perfeição, porém em vão. Edea para a bala e expõe o plano de assassinato.

Vendo essa cena, Squall sai em meio a multidão para enfrenta-la cara a cara em uma batalha das mais memoráveis de toda a saga. Apesar de contar com a ajuda de seus companheiros durante a luta, a derrota chega através de uma adaga de gelo que atravessa o peito de Squall, deixando-o entre a vida e a morte.

Por mais que o game continue em seu segundo capítulo mostrando que Squall sobrevive ao ferimento, a cena gerou uma das teorias mais legais sobre o jogo. Nela, Squall não se recupera da batalha, e todo o resto do game é apenas um sonho do personagem, o que explica a bagunça que o enredo do jogo se torna nos atos posteriores.

2. Warcraft III – Final da Campanha dos Humanos

A Blizzard é uma daquelas produtoras que não desaponta. O hype para lançamento de Overwatch esse ano prova o quanto são aguardados os jogos desenvolvidos por eles. Afinal, conseguimos esperar pouco da produtora que nos trouxe jogos como Rock N’ Roll Racing, Diablo e Starcraft ?

Lá em 2002 a Blizzard lançou a aguardada terceira parte da série Warcraft. O jogo foi uma mistura do que funcionou muito bem em seus antecessores com aquela pitada de RPG, deixando tudo mais interessante. Tínhamos personagens principais, 2 novas raças e um enredo bem mais marcante dessa vez.

O pivô da campanha dos humanos gira em torno do príncipe Arthas e sua investigação da estranha contaminação que se alastra entre em seu reino. Com o passar dos capítulos a situação se agrava e Arthas se vê tomando duras decisões, como a de matar seus conterrâneos infectados apesar dos conselhos de seus companheiros. Vemos o definhamento do príncipe em sede de vingança, perdendo sua humanidade a cada momento em que se aproxima de Mal’Ganis, o Dreadlord da raça Undead responsável pela infecção.

Ao decidir ignorar uma antiga maldição, Arthas recupera a poderosa espada ‘Frostmourne’ e se entrega totalmente às trevas. Ele derrota seu inimigo, mas deixa para trás sua vida como humano para se tornar parte do exército Undead. A reviravolta culmina na cut scene final da campanha, onde o príncipe retorna a seu reino para assassinar seu pai, dando início à invasão dos mortos vivos.

1. Braid – Mundo 1

Braid é um jogo diferentão. Contando com um clima melancólico, cenários que mais parecem pinturas e uma trilha sonora puxada para a música clássica, o game é cheio de simbolismos e muitos o consideram como uma obra de arte. A história gira em torno da busca de Tim pela princesa – quem é essa princesa ou o que ela representa ainda é um assunto muito discutido pelos que jogaram o título.

Mas o grande trunfo de Braid é sua mecânica. Basicamente, trata-se um game de tentativa e erro, uma vez que não existem vidas, apenas um botão que faz o tempo voltar desfazendo qualquer ação já realizada. O jogo é dividido em ‘mundos’ e cada um deles tem sua variação de manipulação temporal. O mundo 3, por exemplo, possui objetos imunes a passagem do tempo, enquanto que, no mundo 4, o tempo passa de acordo com os movimentos do personagem. Isso faz com que o game se renove a cada fase e não fique maçante, mantendo o interesse do jogador.

A história – que começa direto no mundo 2 – mostra os altos e baixos da busca pela princesa conforme acontecimentos na vida do personagem. Tal busca vai se tornando cada vez mais difícil e frustrante, inclusive fazendo Tim pensar em desistir de seu objetivo.

Ao terminarmos os 5 atos do game, o mundo 1 se torna acessível. A fase é a mais frenética até aqui e nela o tempo corre ao contrário. Com alguns minutos de jogo Tim finalmente encontra a princesa, que grita por socorro enquanto se liberta de um cavaleiro que a segurava. O que se segue é uma emocionante sequencia de ação, onde Tim parece contar com a parceria com a princesa. Os personagens, que estão em patamares diferentes do cenário, vão se ajudando a enfrentar obstáculos, abrindo passagens um para o outro, enfrentando os inimigos e correndo em direção a um inevitável encontro.

No final do cenário o jogo simplesmente congela em uma cena de Tim imóvel, observando a princesa dormir em seu quarto. Nesse ponto nenhum comando funciona… instintivamente testamos todas as ações até descobrirmos que o único botão que funciona é o de voltar no tempo. E, com toda a ação da fase, acabamos que esquecemos da mecânica temporal do mundo 1 – o tempo corre ao contrário. Portanto, ao apertar o botão de volta no tempo, na verdade, estamos rodando o tempo em seu sentido normal, dando um ‘play’ nos acontecimentos.

Dessa forma conseguimos entender que a princesa, na verdade, foge de Tim. Ao invés de ajuda-lo durante os cenários, ela o atrapalha, fecha as passagens e tenta faze-lo cair em armadilhas. Finalmente ela pede por socorro e pula nos braços de um cavaleiro que veio salva-la. E é assim que o game nos mostra que Tim, desde o começo é o vilão da história, abrindo o final para diversas interpretações.

E aí, gostou da nossa lista? Qual momento dos games foi mais marcante pra você?